Brasileiros perderam R$ 36,9 bilhões em apostas online em 2025, aponta Fazenda
Os brasileiros tiveram um saldo negativo de R$ 36,9 bilhões com apostas online em 2025, segundo dados preliminares do Ministério da Fazenda obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação. O levantamento considera apenas as plataformas autorizadas a operar em âmbito federal.
Ao longo do ano, essas empresas receberam R$ 220,6 bilhões em depósitos feitos pelos apostadores. Do total, R$ 183,7 bilhões retornaram aos jogadores na forma de prêmios e bônus sacáveis.
A diferença entre os valores representa o montante que ficou com as casas de apostas antes da incidência de tributos e demais destinações previstas na legislação.
Outubro teve maior movimento
O mês de outubro concentrou o maior volume de depósitos registrados no ano. O período coincidiu com a reta final do Campeonato Brasileiro e com as fases decisivas da Copa Libertadores e da Copa Sul-Americana.
Em média, 9,25 milhões de pessoas fizeram apostas por mês em 2025. O pico ocorreu justamente em outubro, quando 10,82 milhões de apostadores utilizaram as plataformas.
Considerando todo o ano, 25 milhões de brasileiros registraram apostas.
Se o prejuízo total de R$ 36,9 bilhões fosse dividido igualmente entre essas pessoas, a perda média seria de aproximadamente R$ 1.476 por apostador. O valor corresponde a cerca de 97% do salário mínimo de 2025, que era de R$ 1.518.
Dados são divulgados pela primeira vez
Esta é a primeira vez que o Ministério da Fazenda apresenta dados consolidados desse tipo. As informações ainda são consideradas preliminares e são obtidas por meio do Sistema de Gestão de Apostas (Sigap), utilizado pelo governo para acompanhar o setor regulado.
Segundo o levantamento, a receita das casas de apostas correspondeu a 16,7% dos depósitos realizados pelos jogadores. O percentual supera a retenção máxima de 15% mencionada na regulamentação e também fica acima da taxa de 7% divulgada pelo setor.
Pelas regras atuais, parte da arrecadação das apostas é destinada à União e a outras áreas beneficiadas pela regulamentação. A parcela destinada a essas finalidades, que atualmente é de 12%, deverá aumentar para 13% em 2026 e chegar a 15% em 2028.
As empresas também estão sujeitas a impostos federais, estaduais e municipais.
Estimativa de prejuízo pode ser maior
Os números da Fazenda podem não representar todo o dinheiro movimentado pelos brasileiros em apostas online.
Um levantamento divulgado pelo Comitê Nacional de Secretários de Fazenda (Comsefaz) em julho apontou uma movimentação de R$ 350,97 bilhões em transferências via Pix para casas de apostas em 2025. O valor é cerca de R$ 130 bilhões superior ao registrado pelo Ministério da Fazenda.
A estimativa do Comsefaz também aponta um impacto financeiro maior para as famílias. Segundo o órgão, o saldo negativo teria chegado a R$ 62,5 bilhões, o equivalente a aproximadamente R$ 2,5 mil de prejuízo médio por apostador.
A diferença entre os levantamentos está relacionada às metodologias utilizadas e ao universo de empresas e transações considerado em cada análise.
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