Brasil anuncia envio de ajuda humanitária à Colômbia após terremoto que deixou mais de 200 mortos

Governo brasileiro decidiu enviar auxílio após pedido das autoridades colombianas; detalhes sobre a operação ainda não foram divulgados

O governo brasileiro anunciou, nesta quarta-feira (12), o envio de ajuda humanitária à Colômbia, que enfrenta uma grave crise após um terremoto de grande magnitude atingir o país na segunda-feira (10). Segundo autoridades locais, o desastre já deixou mais de 200 mortos.

A decisão foi tomada após um pedido do governo colombiano e uma conversa entre os ministros das Relações Exteriores dos dois países. O chanceler brasileiro, Mauro Vieira, conversou com o ministro colombiano Omar Escobar e manifestou solidariedade às vítimas e às famílias afetadas pela tragédia.

De acordo com o Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty), o Brasil está adotando medidas para realizar o envio da ajuda de forma rápida e apoiar as ações de resposta conduzidas pelas autoridades colombianas.

Até a publicação desta reportagem, o governo brasileiro ainda não havia informado quais recursos, equipes ou materiais serão enviados à Colômbia.

* Buscas por sobreviventes continuam

As equipes de emergência colombianas seguem trabalhando na busca por sobreviventes e no atendimento às pessoas atingidas pelo terremoto. O tremor provocou impactos em diferentes áreas do país e também foi sentido em nações vizinhas, como Equador e Venezuela.

No Brasil, moradores de Manaus, no Amazonas, também relataram ter sentido os efeitos do tremor.

Na segunda-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou solidariedade ao povo colombiano e afirmou que o Brasil estava à disposição das autoridades do país para prestar o apoio necessário diante da tragédia.

* Terremotos são frequentes na região

A Colômbia está localizada em uma região de intensa atividade tectônica, próxima ao encontro de placas que formam parte do chamado Círculo de Fogo do Pacífico. A área, que se estende por aproximadamente 40 mil quilômetros ao redor do Oceano Pacífico, concentra grande quantidade de vulcões e registra frequentes terremotos.

Embora tremores sejam relativamente comuns na Colômbia, terremotos de grande intensidade como o registrado nesta semana são menos frequentes e podem provocar danos significativos, especialmente em áreas povoadas.

O envio de ajuda pelo Brasil ocorre em meio aos esforços das autoridades colombianas para resgatar sobreviventes, prestar atendimento às vítimas e enfrentar os efeitos do desastre.

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Brasil avança no ensino fundamental e no médio, mas ainda não bate maioria das metas de 2021 no Ideb

Brasil melhora indicadores de educação em 2025, mas ensino médio continua distante dos objetivos estabelecidos pelo governo; aprendizagem também apresenta recuperação após perdas provocadas pela pandemia

O Brasil registrou avanço no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) em todas as etapas de ensino avaliadas em 2025. Apesar da melhora, os resultados divulgados pelo Ministério da Educação (MEC) mostram que o país ainda não conseguiu alcançar as metas estabelecidas para 2021 nos anos finais do ensino fundamental e no ensino médio.

A situação é mais preocupante no ensino médio. A etapa registrou Ideb de 4,5, abaixo da meta de 5,2 prevista para 2021. O resultado também não alcançou os objetivos estabelecidos anteriormente: a meta era 5,0 para 2019 e 4,7 para 2017.

Nos anos finais do ensino fundamental, o índice chegou a 5,3, enquanto a meta estabelecida para 2021 era 5,5. Já nos anos iniciais, o país atingiu 6,3, superando a meta de 6,0 e consolidando o melhor desempenho entre as etapas avaliadas.

Aprendizagem melhora em português e matemática

Além do Ideb, o MEC divulgou os resultados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), que mede o desempenho dos estudantes em diferentes áreas do conhecimento.

Em 2025, houve melhora nas médias de Português e Matemática nas três etapas avaliadas, na comparação com 2023. Em Matemática, os resultados nacionais voltaram para patamares próximos aos registrados em 2019, antes dos impactos provocados pela pandemia de Covid-19.

No ensino médio, por exemplo, a média nacional em Português passou de 275,7 pontos em 2023 para 279 em 2025. Em Matemática, o resultado subiu de 271,9 para 276,5 pontos.

Apesar da recuperação, os números mostram que o desempenho ainda apresenta desafios, especialmente entre estudantes da rede pública.

Aprovação aumenta, mas resultado gera debate

Outro fator que contribuiu para a melhora do Ideb foi o aumento das taxas de aprovação. No ensino médio, o percentual de alunos aprovados passou de 91,3% para 94,8%.

O crescimento, entretanto, ocorre em meio a mudanças adotadas por alguns estados nas regras de aprovação. Em determinadas redes, estudantes podem avançar de ano mesmo acumulando reprovações em várias disciplinas.

O modelo gera debate entre especialistas, que questionam se o aumento da aprovação está necessariamente acompanhado por uma evolução equivalente na aprendizagem.

No Rio de Janeiro, por exemplo, a taxa de aprovação do ensino médio passou de 80% em 2023 para 91% em 2025. Ao mesmo tempo, o estado registrou um dos piores desempenhos do país em aprendizagem.

Entre as redes públicas estaduais, o Paraná apresentou o melhor desempenho nas três etapas avaliadas.

O estado alcançou Ideb de 6,9 nos anos iniciais, 5,8 nos anos finais e 5,1 no ensino médio. O Paraná também aparece entre os estados com melhores resultados de aprendizagem.

No ensino médio, depois do Paraná, os maiores índices foram registrados por Piauí, Goiás e Espírito Santo, todos com 4,9.

Na outra ponta, o Distrito Federal apresentou o menor Ideb da rede pública no ensino médio, com 3,6. Rio de Janeiro, Amapá, Roraima e Amazonas registraram 3,7.

O Rio de Janeiro chama atenção pelo contraste entre o aumento da aprovação e o desempenho dos estudantes.

A rede estadual registrou Ideb de 3,7 no ensino médio, ficando entre as últimas posições do país. Segundo os dados apresentados, a aprendizagem dos alunos da rede estadual fluminense caiu em 2025 pela terceira vez consecutiva e atingiu o menor nível dos últimos 16 anos.

O resultado coloca o estado diante do desafio de melhorar não apenas o fluxo escolar, mas também a aprendizagem efetiva dos estudantes.

Governo prepara novas metas: Com o fim das metas do Ideb estabelecidas para 2021, o governo federal pretende adotar novos critérios para acompanhar a evolução da educação brasileira.

O ministro da Educação, Leonardo Barchini, afirmou que o MEC e o Inep trabalham em um novo plano de metas, previsto para ser apresentado em outubro. A proposta deverá dar maior peso à proficiência, à aprendizagem e à equidade.

O novo Plano Nacional de Educação também deixou de utilizar o Ideb como principal referência para suas metas. A avaliação da qualidade deverá considerar a quantidade de estudantes que atingem níveis básico e adequado de aprendizagem.

Os resultados de 2025 mostram, portanto, um cenário de recuperação, mas também de desafios persistentes. Embora o país tenha avançado em aprovação e desempenho escolar, o ensino médio permanece distante dos objetivos estabelecidos anteriormente, reforçando a necessidade de políticas voltadas não apenas à permanência dos alunos na escola, mas principalmente à qualidade da aprendizagem.

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Desigualdade persiste: 1% mais rico ganha 31,5 vezes mais que metade dos brasileiros

O mercado de trabalho brasileiro apresentou avanços no último ano, com redução do desemprego, aumento da renda média e diminuição da fome e da pobreza. Apesar dos resultados positivos, o país continua enfrentando um cenário de forte desigualdade social e concentração de renda.

Os dados fazem parte de uma análise do Observatório Brasileiro das Desigualdades, que acompanha diferentes indicadores sociais e econômicos do Brasil. Segundo o levantamento, 71% dos indicadores avaliados apresentaram melhora no ano passado. Outros 16% registraram piora, enquanto 13% permaneceram estáveis.

Entre os principais avanços estão os indicadores relacionados ao mercado de trabalho, à renda média da população, à redução da pobreza e à segurança alimentar. A queda do desemprego aparece como um dos sinais mais relevantes de melhora das condições econômicas para os trabalhadores.

Apesar disso, os números também revelam que os ganhos não foram distribuídos de forma igual entre a população. O rendimento médio do 1% mais rico do país chegou a ser 31,5 vezes superior ao rendimento dos brasileiros mais pobres, evidenciando a persistência da concentração de renda.

O contraste entre a melhora de indicadores sociais e a manutenção de grandes diferenças econômicas mostra um dos principais desafios do país: transformar o crescimento da renda e a melhora do mercado de trabalho em benefícios mais amplos para a população.

O relatório reforça, portanto, que a evolução de indicadores como emprego e renda média não é suficiente para medir a redução das desigualdades. A distribuição dos ganhos econômicos continua sendo um ponto central para o enfrentamento da pobreza e da desigualdade social no Brasil.

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Graves violações de direitos de crianças’: por que o Discord teve lives suspensas no Brasil

A Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) determinou a suspensão das transmissões ao vivo do Discord no Brasil após identificar riscos relacionados à exposição de crianças e adolescentes a conteúdos envolvendo violência, assédio, automutilação e incentivo ao suicídio.

A decisão foi tomada pela Superintendência de Fiscalização da ANPD por meio de uma medida cautelar. Segundo a agência, foram identificadas evidências de que a plataforma não teria adotado medidas consideradas suficientes para prevenir e reduzir os riscos associados ao acesso, à exposição e à facilitação de contato com conteúdos que possam representar graves violações dos direitos de crianças e adolescentes.

A determinação estabelece prazo de três dias úteis para que o Discord cumpra as medidas exigidas. A suspensão das transmissões ao vivo permanecerá em vigor até que a empresa apresente à ANPD evidências de que adotou mecanismos efetivos para aumentar a proteção de crianças e adolescentes na plataforma.

Discord não será totalmente bloqueado

A medida não representa a suspensão do Discord no Brasil. A determinação da ANPD atinge especificamente a ferramenta de transmissões ao vivo da plataforma.

O Discord é amplamente utilizado para comunicação entre jogadores e também possui uma grande quantidade de usuários adolescentes. Nos últimos anos, a empresa passou a enfrentar críticas e investigações relacionadas à moderação de conteúdo, segurança e mecanismos de verificação de idade.

Governo já negociava medidas com a plataforma

A decisão da ANPD ocorre um dia depois de a Advocacia-Geral da União (AGU) informar que havia recebido do Discord uma proposta para reforçar a segurança dos usuários, especialmente de crianças e adolescentes.

O documento foi entregue na segunda-feira (10), após reuniões entre representantes do Discord, do Ministério da Justiça e Segurança Pública, da AGU e da ANPD.

As negociações começaram depois que um relatório da Secretaria Nacional de Direitos Digitais do Ministério da Justiça apontou possíveis falhas nos mecanismos de verificação de idade e de proteção de menores de idade utilizados pela plataforma.

O governo passou a cobrar do Discord medidas para adequar o serviço à legislação brasileira, incluindo mecanismos de verificação etária, prevenção de riscos e proteção de crianças e adolescentes.

Pressão aumentou após caso envolvendo adolescente

Na última semana, a primeira-dama Janja da Silva defendeu a retirada imediata do Discord do ar durante um evento sobre violência contra crianças.

A declaração ocorreu após a divulgação de um caso envolvendo uma adolescente de 13 anos que teria sido induzida por um grupo de adolescentes a cometer suicídio durante uma transmissão realizada na plataforma.

O caso também motivou uma operação policial contra suspeitos de participação na indução da adolescente.

O que diz o Discord

Em nota, o Discord afirmou que está analisando a determinação da ANPD e contestou a caracterização feita pela agência.

A empresa declarou que não tolera grupos ou indivíduos que promovam ou incentivem a violência e afirmou ter removido o servidor privado relacionado ao caso após sua criação.

Segundo a plataforma, investigações internas também teriam identificado indícios de que as atividades criminosas foram coordenadas em outras plataformas antes da criação do servidor no Discord e continuaram em outros serviços após os envolvidos serem banidos.

O Discord afirmou ainda que mantém equipes dedicadas à identificação e remoção de conteúdos que violem suas políticas e que continuará colaborando com as autoridades brasileiras.

A empresa também declarou que pretende manter o diálogo com os órgãos públicos para contribuir com uma experiência mais segura para os usuários no Brasil e no restante da internet.

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