Desigualdade persiste: 1% mais rico ganha 31,5 vezes mais que metade dos brasileiros

O mercado de trabalho brasileiro apresentou avanços no último ano, com redução do desemprego, aumento da renda média e diminuição da fome e da pobreza. Apesar dos resultados positivos, o país continua enfrentando um cenário de forte desigualdade social e concentração de renda.

Os dados fazem parte de uma análise do Observatório Brasileiro das Desigualdades, que acompanha diferentes indicadores sociais e econômicos do Brasil. Segundo o levantamento, 71% dos indicadores avaliados apresentaram melhora no ano passado. Outros 16% registraram piora, enquanto 13% permaneceram estáveis.

Entre os principais avanços estão os indicadores relacionados ao mercado de trabalho, à renda média da população, à redução da pobreza e à segurança alimentar. A queda do desemprego aparece como um dos sinais mais relevantes de melhora das condições econômicas para os trabalhadores.

Apesar disso, os números também revelam que os ganhos não foram distribuídos de forma igual entre a população. O rendimento médio do 1% mais rico do país chegou a ser 31,5 vezes superior ao rendimento dos brasileiros mais pobres, evidenciando a persistência da concentração de renda.

O contraste entre a melhora de indicadores sociais e a manutenção de grandes diferenças econômicas mostra um dos principais desafios do país: transformar o crescimento da renda e a melhora do mercado de trabalho em benefícios mais amplos para a população.

O relatório reforça, portanto, que a evolução de indicadores como emprego e renda média não é suficiente para medir a redução das desigualdades. A distribuição dos ganhos econômicos continua sendo um ponto central para o enfrentamento da pobreza e da desigualdade social no Brasil.

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IPCA: Inflação desacelera para 0,07% em julho com queda nos preços dos alimentos

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, IPCA, considerado a inflação oficial do Brasil, registrou alta de 0,07% em julho, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, IBGE.

O resultado representa uma desaceleração em relação a junho, quando o índice havia avançado 0,16%.

Com o resultado de julho, a inflação acumulada em 2026 chegou a 3,44%. No acumulado dos últimos 12 meses, encerrados em julho, o IPCA ficou em 4,44%, abaixo dos 4,64% registrados até junho.

A inflação acumulada em 12 meses permanece dentro do intervalo de tolerância da meta estabelecida pelo Banco Central. O objetivo central é de 3%, com intervalo de tolerância entre 1,50% e 4,50%.

Conta de luz foi destaque entre as altas

O grupo Habitação apresentou a maior alta entre os grupos pesquisados, com avanço de 0,99% em julho.

O principal impacto veio da energia elétrica residencial, que subiu 3,09% no mês, acelerando em relação à alta de 1,53% registrada em junho. O item, sozinho, contribuiu com 0,13 ponto percentual para o resultado do IPCA.

Alimentos ajudaram a conter a inflação

Na direção oposta, o grupo Alimentação e bebidas registrou queda de 0,67% e ajudou a limitar a alta geral dos preços.

Os alimentos consumidos em casa tiveram redução de 1,14%. Entre os produtos que ficaram mais baratos em julho, destacaram-se o tomate, com queda de 29,09%, a batata-inglesa, que recuou 19,59%, a cenoura, com baixa de 14,41%, e o café moído, que ficou 2,45% mais barato.

O tomate foi o produto que mais contribuiu para a redução do índice no mês.

Por outro lado, o preço do leite longa vida aumentou 2,47%, enquanto as frutas ficaram 1,20% mais caras.

Comer fora de casa ficou mais caro

Apesar da queda nos preços dos alimentos para consumo no domicílio, a alimentação fora de casa apresentou alta de 0,55% em julho, acima dos 0,15% registrados em junho.

Os lanches ficaram 0,76% mais caros, enquanto o preço das refeições aumentou 0,42%.

Veja a variação dos grupos do IPCA em julho

Alimentação e bebidas: -0,67%
Habitação: 0,99%
Artigos de residência: 0,07%
Vestuário: -0,66%
Transportes: 0,05%
Saúde e cuidados pessoais: 0,40%
Despesas pessoais: 0,22%
Educação: -0,03%
Comunicação: 0,04%

Rio Branco teve a maior alta entre as regiões pesquisadas

Entre as regiões pesquisadas pelo IBGE, Rio Branco registrou a maior alta do IPCA em julho, de 0,32%. O resultado foi influenciado principalmente pelos aumentos nas passagens aéreas e na energia elétrica.

Já Belém apresentou a maior queda, de 0,45%, influenciada principalmente pela redução nos preços da gasolina e do açaí.

A inflação oficial desacelerou em julho, passando de 0,16% em junho para 0,07%. A queda nos preços dos alimentos ajudou a conter o índice, enquanto a energia elétrica exerceu pressão sobre o custo de vida das famílias.

No acumulado de 2026, o IPCA registra alta de 3,44%. Em 12 meses, a inflação está em 4,44%.

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