O Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, deverá receber um sistema específico para detectar, monitorar, mitigar e neutralizar drones que operem de forma irregular nas proximidades do terminal. As diretrizes para implantação da estrutura foram encaminhadas nesta sexta-feira (11) pelo Ministério de Portos e Aeroportos à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
A iniciativa busca aumentar a segurança das operações aéreas diante dos riscos provocados pela presença de drones nas áreas próximas aos aeroportos. Esses equipamentos podem interferir em pousos e decolagens e, em determinadas situações, provocar a suspensão temporária das atividades.
De acordo com o Ministério de Portos e Aeroportos, a escolha de Guarulhos para iniciar o projeto está relacionada à importância do aeroporto para a malha aérea brasileira e ao histórico de ocorrências envolvendo drones na região. A experiência também deverá servir como referência para uma eventual implantação da tecnologia em outros aeroportos do país.
Concessionária será responsável pelo sistema
Pelas diretrizes estabelecidas pelo governo, a concessionária responsável pelo Aeroporto de Guarulhos deverá adquirir, instalar e operar os equipamentos necessários para o funcionamento do sistema.
A estrutura deverá contemplar diferentes etapas de resposta, desde a identificação do drone até medidas destinadas a reduzir ou interromper a ameaça. A concessionária também ficará responsável pela primeira resposta diante de uma ocorrência e pela comunicação às autoridades competentes.
Os equipamentos utilizados deverão atender às exigências técnicas e de segurança estabelecidas pelos órgãos responsáveis e contar com homologação da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
Operação terá participação de diferentes órgãos
A implantação do sistema será coordenada com a participação da Anac, Polícia Federal, Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), Receita Federal e Anatel.
O Decea terá papel importante na definição das áreas de proteção ao redor do aeroporto, além de participar da elaboração dos procedimentos que deverão ser adotados para eventual suspensão e posterior retomada das operações aéreas.
A atuação conjunta busca estabelecer protocolos para que eventuais incidentes envolvendo drones sejam identificados e tratados de forma rápida, reduzindo os impactos sobre o funcionamento do aeroporto.
Histórico de ocorrências aumenta preocupação
O uso irregular de drones próximo a aeroportos é considerado um risco para a aviação. Em Guarulhos, episódios anteriores já provocaram interrupções nas operações.
Em 2025, por exemplo, um incidente envolvendo drones nas proximidades do aeroporto esteve relacionado a uma operação criminosa e provocou a suspensão de pousos e decolagens. O episódio afetou dezenas de voos e evidenciou a necessidade de mecanismos mais eficientes para identificar e responder a esse tipo de ameaça.
Um manual da Anac também registra ocorrências anteriores envolvendo drones em aeroportos brasileiros e no exterior, incluindo situações que resultaram em atrasos, cancelamentos e interrupções de operações.
Sistema poderá ser levado a outros aeroportos
Antes de uma eventual expansão do modelo, a Anac deverá realizar uma avaliação de riscos e de custo-benefício em conjunto com órgãos como a Polícia Federal e o Decea.
Entre os critérios que poderão ser considerados estão a movimentação de aeronaves e passageiros, a importância do aeroporto para a malha aérea nacional e o histórico de ocorrências envolvendo drones.
A expectativa do Ministério de Portos e Aeroportos é utilizar os resultados obtidos em Guarulhos para avaliar quais outros terminais brasileiros podem apresentar necessidade de receber sistemas semelhantes.
A implantação do mecanismo representa mais uma etapa nas medidas de proteção do espaço aéreo próximo aos aeroportos e acompanha o avanço das regras brasileiras para operações com drones.
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