Dólar recua 0,87% e Ibovespa sobe após 11 quedas consecutivas

O dólar fechou o pregão desta quarta-feira (19) em queda de 0,87%, cotado a R$ 5,1761. No mercado acionário, o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, avançou 0,90%, aos 167.830 pontos, interrompendo uma sequência de 11 sessões consecutivas de baixa.

O movimento dos mercados ocorreu em meio à alta do petróleo e à repercussão das novas tensões no Oriente Médio, especialmente entre Estados Unidos e Irã. Investidores também acompanharam a divulgação da ata da última reunião do Federal Reserve (Fed), o banco central norte-americano, que reforçou a preocupação dos dirigentes com a inflação nos Estados Unidos.

No Brasil, apesar da recuperação da Bolsa, o ambiente de incertezas continua no radar dos investidores. O cenário político e eleitoral, as contas públicas e a saída de recursos estrangeiros seguem entre os principais fatores de atenção.

Petróleo sobe com tensão entre EUA e Irã

As preocupações com uma possível nova escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã voltaram a pressionar o mercado internacional de petróleo.

Segundo informações divulgadas pelo *Financial Times*, autoridades iranianas consideram a possibilidade de atacar alvos militares dos Estados Unidos na Europa caso o conflito avance para uma nova etapa. A possibilidade aumentou as preocupações sobre a segurança do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas para o transporte mundial de petróleo.

O barril do Brent, referência internacional, subiu 0,48% e terminou o dia cotado a US$ 91,46. Já o petróleo WTI, referência nos Estados Unidos, avançou 0,80%, a US$ 85,62.

O Estreito de Ormuz é considerado estratégico para o mercado global de energia. Antes da guerra, cerca de 20% do comércio mundial de petróleo passava pela região. Uma eventual interrupção ou restrição da navegação poderia afetar a oferta de combustíveis e aumentar as pressões inflacionárias em diversos países.

O cenário também envolve possíveis impactos sobre infraestrutura estratégica. De acordo com as informações citadas pelo *Financial Times*, o Irã avalia diferentes formas de ampliar a pressão sobre os Estados Unidos e seus aliados em caso de agravamento das hostilidades.

Ata do Fed aumenta atenção sobre inflação:

No cenário econômico dos Estados Unidos, a divulgação da ata do Federal Reserve foi outro destaque do dia.

O documento mostrou que vários dirigentes do banco central norte-americano consideram a possibilidade de uma nova alta dos juros caso a inflação permaneça acima da meta de 2%.

A perspectiva de juros elevados nos Estados Unidos influencia diretamente os mercados internacionais, já que pode aumentar a atratividade de ativos denominados em dólar e afetar o fluxo de recursos para países emergentes, como o Brasil.

Cenário brasileiro permanece no radar:

No mercado doméstico, investidores também acompanham as movimentações políticas e econômicas. Entre os temas observados está a tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6×1 no Senado.

As discussões sobre a proposta ocorrem em um ambiente de atenção às contas públicas e às perspectivas para as eleições de 2026. O cenário político pode influenciar as expectativas do mercado em relação à política fiscal e aos gastos do governo.

Desempenho dos mercados:

Com o resultado desta quarta-feira, o dólar acumula queda de 0,83% na semana, mas registra alta de 2,10% no mês. No ano, a moeda norte-americana acumula queda de 5,70%.

O Ibovespa, por sua vez, acumula alta de 0,54% na semana. No mês, o índice registra queda de 5,71%, enquanto, no acumulado de 2026, apresenta alta de 4,16%.

A recuperação da Bolsa nesta quarta-feira encerra uma sequência de 11 pregões de perdas, mas ocorre em um cenário internacional ainda marcado pelas incertezas envolvendo inflação, juros e conflitos geopolíticos.

Continue lendo...