Conta de luz: consumidor poderá escolher fornecedor de energia; mudança promete economia
Novas regras do setor elétrico vão ampliar o acesso ao mercado livre de energia e permitir que, nos próximos anos, um número maior de consumidores escolha de quem comprar eletricidade.
Atualmente, grandes consumidores, como indústrias, shoppings e empresas de maior porte, já podem negociar diretamente com comercializadoras e buscar condições diferentes das oferecidas pelas distribuidoras tradicionais.
A mudança agora avança para os pequenos consumidores. A partir de novembro de 2027, lojas, padarias, restaurantes e outras pequenas empresas deverão poder escolher seu fornecedor de energia. Em novembro de 2028, a possibilidade deverá chegar aos consumidores residenciais.
Como vai funcionar :
O modelo será semelhante, em alguns aspectos, à portabilidade existente no setor de telefonia. Empresas comercializadoras poderão comprar energia das geradoras e oferecer contratos diretamente aos consumidores.
O consumidor, porém, continuará conectado à rede elétrica existente. A distribuição da energia e a manutenção da infraestrutura permanecerão sob responsabilidade da concessionária que atende cada região.
Isso significa que a mudança de fornecedor não deve alterar a estrutura física de distribuição, nem resolver problemas relacionados a interrupções no fornecimento, já que a rede continuará sendo administrada pela distribuidora local.
. Economia pode ser um dos principais atrativos
A possibilidade de negociar preços é apontada como uma das principais vantagens do mercado livre.
Uma empresa de logística de São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, por exemplo, gastava cerca de R$ 37 mil por mês com energia elétrica. Depois de migrar para o mercado livre, há aproximadamente dois anos, conseguiu reduzir a despesa em quase 30%.
Segundo Milton Bigucci Junior, diretor técnico da empresa, a economia chega a cerca de R$ 10 mil por mês, o equivalente a aproximadamente R$ 120 mil ao ano.
A expectativa é que a ampliação da concorrência também possa beneficiar os consumidores que entrarem no mercado livre nos próximos anos.
Consumidor deverá ficar atento aos contratos!!
Apesar da possibilidade de redução da conta, a mudança não significa que todos terão automaticamente uma economia. O resultado dependerá das condições oferecidas pelas comercializadoras e dos contratos firmados.
A diretora de Operação de Mercado da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), Gerusa Côrtes, avalia que a maior competição pode contribuir para a redução dos preços.
Além da negociação de tarifas, as empresas também poderão oferecer serviços adicionais aos consumidores, como orientações sobre os horários mais adequados para utilizar determinados equipamentos e, dessa forma, ajudar a reduzir o consumo e o valor da conta.
. Mudança será gradual
A chamada portabilidade da energia será implantada de forma gradual ao longo dos próximos dois anos. A ampliação do mercado deverá dar aos consumidores mais opções na hora de contratar o fornecimento de eletricidade.
Antes de aderir ao modelo, no entanto, será importante comparar as propostas disponíveis, verificar a duração mínima do contrato e analisar cuidadosamente as condições de preço e de fornecimento.
A expectativa é que, com mais empresas disputando clientes, o consumidor tenha maior poder de escolha e possa encontrar alternativas mais vantajosas para reduzir os gastos com energia elétrica.
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