Brasil avança no ensino fundamental e no médio, mas ainda não bate maioria das metas de 2021 no Ideb
Brasil melhora indicadores de educação em 2025, mas ensino médio continua distante dos objetivos estabelecidos pelo governo; aprendizagem também apresenta recuperação após perdas provocadas pela pandemia
O Brasil registrou avanço no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) em todas as etapas de ensino avaliadas em 2025. Apesar da melhora, os resultados divulgados pelo Ministério da Educação (MEC) mostram que o país ainda não conseguiu alcançar as metas estabelecidas para 2021 nos anos finais do ensino fundamental e no ensino médio.
A situação é mais preocupante no ensino médio. A etapa registrou Ideb de 4,5, abaixo da meta de 5,2 prevista para 2021. O resultado também não alcançou os objetivos estabelecidos anteriormente: a meta era 5,0 para 2019 e 4,7 para 2017.
Nos anos finais do ensino fundamental, o índice chegou a 5,3, enquanto a meta estabelecida para 2021 era 5,5. Já nos anos iniciais, o país atingiu 6,3, superando a meta de 6,0 e consolidando o melhor desempenho entre as etapas avaliadas.
Aprendizagem melhora em português e matemática
Além do Ideb, o MEC divulgou os resultados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), que mede o desempenho dos estudantes em diferentes áreas do conhecimento.
Em 2025, houve melhora nas médias de Português e Matemática nas três etapas avaliadas, na comparação com 2023. Em Matemática, os resultados nacionais voltaram para patamares próximos aos registrados em 2019, antes dos impactos provocados pela pandemia de Covid-19.
No ensino médio, por exemplo, a média nacional em Português passou de 275,7 pontos em 2023 para 279 em 2025. Em Matemática, o resultado subiu de 271,9 para 276,5 pontos.
Apesar da recuperação, os números mostram que o desempenho ainda apresenta desafios, especialmente entre estudantes da rede pública.
Aprovação aumenta, mas resultado gera debate
Outro fator que contribuiu para a melhora do Ideb foi o aumento das taxas de aprovação. No ensino médio, o percentual de alunos aprovados passou de 91,3% para 94,8%.
O crescimento, entretanto, ocorre em meio a mudanças adotadas por alguns estados nas regras de aprovação. Em determinadas redes, estudantes podem avançar de ano mesmo acumulando reprovações em várias disciplinas.
O modelo gera debate entre especialistas, que questionam se o aumento da aprovação está necessariamente acompanhado por uma evolução equivalente na aprendizagem.
No Rio de Janeiro, por exemplo, a taxa de aprovação do ensino médio passou de 80% em 2023 para 91% em 2025. Ao mesmo tempo, o estado registrou um dos piores desempenhos do país em aprendizagem.
Entre as redes públicas estaduais, o Paraná apresentou o melhor desempenho nas três etapas avaliadas.
O estado alcançou Ideb de 6,9 nos anos iniciais, 5,8 nos anos finais e 5,1 no ensino médio. O Paraná também aparece entre os estados com melhores resultados de aprendizagem.
No ensino médio, depois do Paraná, os maiores índices foram registrados por Piauí, Goiás e Espírito Santo, todos com 4,9.
Na outra ponta, o Distrito Federal apresentou o menor Ideb da rede pública no ensino médio, com 3,6. Rio de Janeiro, Amapá, Roraima e Amazonas registraram 3,7.
O Rio de Janeiro chama atenção pelo contraste entre o aumento da aprovação e o desempenho dos estudantes.
A rede estadual registrou Ideb de 3,7 no ensino médio, ficando entre as últimas posições do país. Segundo os dados apresentados, a aprendizagem dos alunos da rede estadual fluminense caiu em 2025 pela terceira vez consecutiva e atingiu o menor nível dos últimos 16 anos.
O resultado coloca o estado diante do desafio de melhorar não apenas o fluxo escolar, mas também a aprendizagem efetiva dos estudantes.
Governo prepara novas metas: Com o fim das metas do Ideb estabelecidas para 2021, o governo federal pretende adotar novos critérios para acompanhar a evolução da educação brasileira.
O ministro da Educação, Leonardo Barchini, afirmou que o MEC e o Inep trabalham em um novo plano de metas, previsto para ser apresentado em outubro. A proposta deverá dar maior peso à proficiência, à aprendizagem e à equidade.
O novo Plano Nacional de Educação também deixou de utilizar o Ideb como principal referência para suas metas. A avaliação da qualidade deverá considerar a quantidade de estudantes que atingem níveis básico e adequado de aprendizagem.
Os resultados de 2025 mostram, portanto, um cenário de recuperação, mas também de desafios persistentes. Embora o país tenha avançado em aprovação e desempenho escolar, o ensino médio permanece distante dos objetivos estabelecidos anteriormente, reforçando a necessidade de políticas voltadas não apenas à permanência dos alunos na escola, mas principalmente à qualidade da aprendizagem.
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