Médica que descobriu esclerose múltipla durante vestibular usa experiência para ajudar pacientes

O sonho de se tornar médica começou ainda na adolescência para Carolina Miranda Aranha. Mas, durante uma prova de vestibular para Medicina, em 2015, ela enfrentou um episódio que mudaria sua trajetória: fortes formigamentos em uma das mãos e visão embaçada levaram a estudante a abandonar o exame e procurar atendimento médico. Meses depois, veio o diagnóstico de esclerose múltipla.

Apesar da descoberta e dos desafios que surgiram a partir dela, Carolina não desistiu da carreira. Hoje, formada em Medicina e atuando em Santos, no litoral de São Paulo, ela utiliza a própria experiência com a doença para reconhecer possíveis sinais em pacientes e reforça a importância do diagnóstico precoce.

A história ganha destaque durante o Agosto Laranja, mês de conscientização sobre a esclerose múltipla.

Diagnóstico veio durante preparação para Medicina

Carolina conta que decidiu seguir a carreira médica inspirada pelo tio. O primeiro episódio da doença aconteceu em novembro de 2015, durante o vestibular da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Após abandonar a prova por causa dos sintomas, ela iniciou uma investigação com um neurologista e passou por exames até receber a confirmação da esclerose múltipla, no início de 2016.

Na época, a estudante conhecia pouco sobre a doença e precisou lidar com dúvidas sobre o futuro.

O diagnóstico também veio acompanhado de comentários de pessoas que tentaram convencê-la a desistir da Medicina. Segundo Carolina, ela ouviu de profissionais ligados a cursinhos e de outras pessoas que não conseguiria concluir a graduação por causa das exigências do curso.

O apoio da família, do neurologista e da direção da Universidade Metropolitana de Santos (Unimes), onde estudou, foi fundamental para que ela continuasse perseguindo o objetivo.

Tratamento e adaptação à rotina

A esclerose múltipla é uma doença neurológica crônica e autoimune que afeta o sistema nervoso central. Ela ocorre quando o sistema imunológico passa a atacar estruturas do próprio organismo, provocando lesões que podem comprometer o cérebro e a medula espinhal.

A doença costuma ser diagnosticada principalmente entre pessoas de 20 a 40 anos e apresenta maior incidência entre mulheres.

Carolina afirma que mantém tratamento médico e adotou mudanças na rotina para lidar com a condição. Entre as medidas estão suplementação de vitamina D, uso de medicamento imunobiológico por infusão hospitalar e prática regular de atividades físicas.

Ela também aprendeu a organizar a rotina para evitar os horários de calor mais intenso. Temperaturas elevadas podem provocar uma piora temporária de alguns sintomas em pessoas com esclerose múltipla.

Mesmo tendo recebido orientação médica para considerar cidades de clima mais frio, Carolina escolheu estudar e construir a carreira em Santos.

Experiência como paciente influencia atuação médica

Atualmente, Carolina trabalha como médica generalista, inclusive em atendimentos de pronto-socorro. Para ela, ter vivido a experiência de ser paciente trouxe uma nova perspectiva para a profissão.

A médica afirma que o diagnóstico aumentou sua empatia e atenção durante os atendimentos, principalmente diante de pacientes que apresentam sintomas difíceis de interpretar.

A experiência pessoal também já a ajudou a reconhecer sinais que poderiam estar relacionados à esclerose múltipla. Em alguns casos, Carolina encaminhou pacientes para avaliação neurológica e posteriormente recebeu a notícia de que eles haviam sido diagnosticados com a doença.

Segundo ela, conhecer os sintomas por experiência própria facilita a percepção de determinadas manifestações que podem ser confundidas com outros problemas de saúde.

Conscientização pode ajudar no diagnóstico

A decisão de compartilhar publicamente a história surgiu após o incentivo de uma paciente que recebeu diagnóstico de esclerose múltipla. Para Carolina, contar a própria trajetória é uma maneira de ampliar o conhecimento sobre a doença e estimular a busca por atendimento médico diante de sintomas suspeitos.

A médica ressalta que a esclerose múltipla não tem cura, mas pode ser tratada, e o acompanhamento adequado é importante para controlar a doença e preservar a qualidade de vida.

Para ela, receber o diagnóstico não significa abrir mão de projetos pessoais ou profissionais.

Carolina defende que a informação e o diagnóstico precoce podem fazer diferença na evolução da doença e reforça que a esclerose múltipla não deve definir a vida de quem convive com a condição.

“É possível, sim, a gente viver completamente feliz, trabalhando no que almeja, com muito sucesso”, afirmou.

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